De repente eu olhei pra Lua e comecei a chorar
Eu sempre gostei da Lua, mas acho que tenho gostado cada vez mais.
Consigo falar pelo menos umas 10 músicas que falam do nada sobre a Lua quando fica impossível definir claramente o que seria se não fosse ela. Mas um exemplo clássico:
"Se eu morrer não chore não, é só a Lua"
Não sei dizer, há um certo símbolo que damos para à Lua:mistério e acalento, sonhos e pesadelo, dormir ou rolê noturno.
Mas dessa vez foi diferente.
Eu vi ela pelo reflexo do espelho,
estava em sua fase gibosa minguante,
mas parecia uma super lua, enorme.
Como vi pelo reflexo de início nem achei que fosse lua,
parecia uma mancha enorme no céu,
pensei que fosse um foguete ou algo de uma sacada de prédio,
mas era a mesma Lua de sempre.
Sabe, ultimamente eu tenho me sentido uma falsidade, eu não sei exatamente o quê, mas algo me tomou conta no período do natal-ano novo.
Eu ando vendo como as pessoas estão curtindo suas vidas,
fazendo coisas legais,
e eu estou aqui.
Desde criança eu sonhava em ter a idade que eu tenho,
achava que iria encontrar conforto em afetos,
e que ironia pensar que aquela mesma criança que vivia tentando se encaixar,
se podar,
que buscava acolhimento de quem maltratava
idealizou o que era ser adulta
e repetiu isso tudo progressivamente.
não sei se igual na verdade,
mas ainda assim, solidão.
Enquanto há pessoas se divertindo em inúmeras formas,
eu estou só escrevendo...
As vezes eu penso que eu só escrevo poesia
porque eu não tenho outra opção.
E é, eu queria muito estar curtindo como "os outros", mesmo que eu nem saiba quem são esses outros.
Contudo, está incompleto, eu escrevo não só por falta de opção,
mas há um quê de revolta em cada verso
como se fosse uma tentativa de atacar de volta essa narrativa.
E também, não sei se estaria exatamente bem se fizesse o movimento contrário
Engraçado que associam a produção de poesias
com à intelectualidade ou à chatice,
e pra mim é o puro fervor
Isso quando não apelo para escrever coisas bonitas para mascarar o desejo de dissolução.
E mais, eu sonhei hoje que eu abraçava uma pessoa que tentou me matar e isso não é tão fora da realidade.
Quantas vezes eu não fiz isso na verdade?
Isso tudo me trouxe aqueles pensamentos do meu eu adolescente:
"Pare de sorrir", "Ataque primeiro".
Mas quando eu olhei a Lua no céu, algo bateu diferente.
Eu não sei explicar por quê, mas imediatamente eu comecei chorar
E eu não sou de chorar,
Era quase como se um lado frágil pudesse ser acolhido pela Lua.
Eu senti algo quase religioso, não sei explicar.
Eu simplesmente ignorei tudo o que tanto falo de materialidade.
Deixei pra lá, não importava agora.
Eu superestimei o que era ser adulta,
subestimei muito minha família e tudo o que disseram
E superestimei mais ainda a influência de outras pessoas sobre mim.
Eu acho que gostaria de estar fazendo outras coisas agora
Estando em um outro lugar
Com gente que nem existe,
Fazendo jus ao o que acho que seria o melhor pra mim.
Mas, se eu estivesse, eu jamais teria visto a Lua em meu espelho.
E isso não é pouco.
A vida não é o que a gente gostaria de viver.
Mas o que gente faz com que está posto.
E como a gente honra isso sem se perder
E eu me perdi.
Mas a Lua com sua luz clareou a ilusão:
"a mente mente".
E como numa meditação,
Ratifiquei pra mim que
As vezes o que a gente pensa que quer e precisa
É bobeira.
E eu acho que entendo melhor isso agora.
Agora, um adendo engraçado que eu percebi depois de reler esse texto.
Dê uma olhada letra de A Lenda da Luz da Lua e me diga se não sou uma Sailor.
Mesmo querendo não posso ser sincera
Pois nos meus sonhos eu me confesso
E nesses sonhos voam fantasias
Que muita insônia me causarão
Agora mesmo queria ver-te
Estar contigo sob a luz da Lua
Mas essa luz não me deixa dizer-te
Que quero viver nova emoção
Um caleidoscópio é meu coração
Luz da Lua, guie este amor
Brilho da Lua, ilumine o caminho
E aqui sozinha eu te pergunto
Terei de novo o mesmo carinho?
Será que um dia ele voltará?
Com o teu brilho em seu olhar?
Então o amor renascerá!
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