Postagens

Awen

Eu sei que falo isso direto, mas preciso retomar essa ideia. No meu pior momento  A música era só som E as montanhas só  Terra empilhada  Isso não é metáfora, é literalmente o que eu sentia. Thompson para historiografia hooks para a ética/educação Júlio Lancellotti como prática humanitária Caeiro na poesia Boal no teatro Esses e muitos e muitos outros pra mim representam esse antídoto para reencantar o mundo para quem esta cinza por dentro. E reencantar e se reconectar ao awen da vida, a Vontade.  Eu escrevo agora porque sou barda dessa força universal... eu gostaria de ser na verdade.  Não digo nada transcendente e, apesar de usar autores que nem se conectam, eu acho que no fim, tudo o que eu escrevo é profundamente materialista e, ainda assim, sensível. E a falta de conexão das coisas que escrevo reflete a limitação natural minha e das "doenças da mente" (como diria Caeiro).   Eu honestamente acredito que exista um tipo de saúde além desse que é mass...

Sensa (texto meio fluxo)

Eu lembro da sensação de assistir o Cão e a Raposa Esse filme foi muito marcante pra mim Mas não exatamente pela história Mas pela ambiência e sensorialidade Acho que eu escrevo por conta dele e de obras que via como Pantera Cor-de-rosa e afins Pena que não vi Ghibli na infância.   O que me faz escrever é falar do verde e da sensação específica que é encostar em um musgo umido que vi no Cão e a Raposa Ou mesmo relatar como foi a experiência do primeiro beijo de um personagem baseando coisas que senti ao longo das experiências, ou que imaginei. É como se eu fizesse uma coleção de sensações e cores e emoções. Eu acredito muito em Caeiro quando ele diz que a realidade são as sensações e o pensar é a doença dos olhos. Ouso dizer que o ápice é quando tira-se o eu desnecessário no objeto e deixasse o suficiente para a sensação ficar habitável por conta própria. Eu sempre fui muito sensível e muito gentil, isso é uma força mas também uma fraqueza e falei disso com minha psicóloga hoje. Is...

Pessoas Autenticas

Se eu tivesse algo como santos (ou talvez demônios) diria que sou temente a pessoas como José Mojica Marins , Zé Celso e Erik Satie . Sei lá. Todos eles me parecem pessoas que definiram a própria existência como poucos. Satie, em particular, é quem mais me atrai. Quando se veste como um aristocrata e vai às reuniões do partido socialista. Quando escreve nas partituras coisas como: “toque leve como uma pluma”. Quando acusado de fazer "músicas sem forma", ele compõe “músicas em formato de pêra”. Quando as vanguardas europeias faziam músicas cada vez mais complexas, ele iria para músicas que por vezes eram feitas para passar despercebidas.  E fora alguém delicado e irônico, introvertido e silencioso, mas isso por si só era de uma potência tão, mas tão gigante que as vezes poucos viram.  Eu sinto que ele encarna algo que eu acho fascinante, sabe. E Lou Reed e The Velvet Underground talvez sejam um dos maiores exemplos disso tudo. Não à toa parecem pais espirituais do pun...

O Iluminismo não acabou

Na faculdade lembro-me que o primeiro texto apresentado para nós foi um projeto educacional de Condorcet, mediado pela Carlota Boto. Impossível esquecer como todos os alunos ficaram felizes ao ler alguém escrevendo sobre uma educação que parecia para nós tão avançada. Impossível também o choque quando nosso professor deu uma dura lição sobre anacronismo e como estávamos lendo um texto de mais de 200 anos como se fosse algo feito para os dias de hoje.  Mais a frente no curso, foi dito pra nós que o sentimento que Iluminismo falhou e, por consequência, a razão falhou cresceu após a Segunda Guerra Mundial. E isso é verdade, o sentimento, não o argumento. Quer dizer, o nacionalismo ufanista não é uma cria do Iluminismo, mas do Romantismo, seu contraponto após a Revolução Francesa, que criou o Iluminismo como uma construção posterior.  Frankenstein, de Mary Shelley, funciona como uma tese romântica  sobre a "sombra da racionalidade": o horror que nasce quando a técnica se desp...

Pobre são os demônios

O Maligno, Coisa-Ruim, Sete-Peles, Satanás, Zoiúdo, Capeta Todes sabem quem é o dito cujo No entanto, quando falamos nomes mais "formais" Diabo, Lúcifer, Asmodeus, Semiasa, Samael, Bafomé, etc.  Percebe-se que todos esses apontam para coisas totalmente diferentes e por uma colagem histórica foram unidos para falar de um "vilão único".  Por exemplo, originalmente, Satanás não era um nome próprio, mas um cargo: o Ha-Satan ("O Acusador" ou "O Caluniador"). No Antigo Testamento, ele era um anjo da corte divina, uma espécie de promotor que atuava com o aval de Deus para testar a fidelidade dos fiéis, como se observa no Livro de Jó. Já Bafomé exemplifica a demonização do "outro" político e religioso; acredita-se ser uma deturpação de Maomé (Mahomet), termo utilizado pela Inquisição para acusar os Cavaleiros Templários de traição (na verdade foi muito uma acusação da Igreja Católica para manter o poder central em si e não nos emergentes Templá...

As estrelas são só estrelas

Antes eu queria o mundo, o palco. Agora me sinto bem vivendo. Fico feliz por Isaac Asimov e Philip K. Dick, Clarice Lispector e Nelson Oliveira e tantos outros já terem escrito. Porque às vezes eu não quero falar. Quero debruçar, sentir e sentir mesmo. Sentir o sensorial das texturas, e descrever horas e horas a asperidade doce do tecido que trás um conforto como se me retomasse a uma manta que tive na infância, a temperatura da noite, o jeito que a costura me atravessa e evoca algo. A vida às vezes é você copiar um vídeo de Clair de Lune porque não sabe ler uma partitura e ver e ler livros de pessoas ao invés de fazer. Não só porque eles treinaram muito mais que você. E nem porque você nem precisa ler a partitura, as vezes você só quer reproduzir e ficar brisando por você. Mas porque você cria enquanto lê, você cria. Você cria enquanto escuta, enquanto lembra, enquanto sente, enquanto imagina. Talvez a gente tenha sido convencido de que existir de forma menos ativa é uma forma menor d...

A Revolta da Música

De repente percebi Que toda a música são só sons Até mesmo as noções do "Eu" são construções Toda magia que acreditei Todas as coisas que  Um dia eu senti Não são tão eu E eu canto Pra alguém ouvir-me pelos cantos E se satisfazer  Com o que eu disser  Mas eu não tenho nada pra falar E nem quero olhar pra trás E trazer o que não me pertence mais Eu me recuso Musicar as minhas falas Cantar e fazer rimas Tenho vida além de quem canta  Ecoo pelo espaço-tempo Eu mato quem me cantou Agora chegou ao fim Eu liberto a música em mim Eu deixo ela ir Você não vai mais me prender Eu liberto toda a música E deixo ela ir E mato quem me cantou ... A música acabou