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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Ecossocialismo como uma necessidade: Entropia e Empenho pela vida

Eu não acreditava que fosse possível voltar no tempo como nos filmes... mas eu me enganei.  Até que me apresentaram a hipótese de acelerar uma das bocas de um buraco de minhoca e, assim, criar uma defasagem temporal entre elas. Ao atravessá-lo, você estaria, tecnicamente, em um momento diferente do tempo segundo o seu próprio referencial. Mas nem é preciso apelar para isso. A verdade é que nós já viajamos no tempo. O tempo todo. O que percebemos como tempo, uma linha contínua que começa no Big Bang e segue adiante, é uma definição newtoniana e ela já caiu no paradigma científico. Esse modelo é um resquício de uma física onde o universo era apenas um palco fixo, e não o ator, o palco e o próprio público ao mesmo tempo. A relatividade e a mecânica quântica são realmente muito doidas.  E, ainda assim, tudo está fadado a morrer. Ou talvez não exatamente morrer, mas se desarranjar. O universo. Você. Até o seu webrelacionamento. Existe uma lei da natureza chamada entropia. Ta...

Por que não sou anarquista?

Não é surpresa para ninguém que eu me considero marxista-leninista e ecossocialista. Mas, ao invés de começar defendendo esse posicionamento de forma direta, prefiro fazer um caminho diferente. Durante muito tempo eu me considerei anarquista. Em parte porque sempre achei atraente estar naquilo que é menos aceito, menos normativo, mais marginal. Mas, honestamente, o que realmente me atraía no anarquismo não era só a estética ou a rebeldia. Era a convicção de que essa é, em essência, a forma como a sociedade deveria se organizar. O mundo é uma teia. Nós somos uma teia. Um fluxo em constante relação e expansão. Sendo assim, por que a sociedade não deveria funcionar dessa forma também? O livro Ajuda Mútua: Um Fator da Evolução, de Kropotkin, foi fundamental para mim, nele é mostrado que, tanto historicamente quanto biologicamente, o que permitiu a sobrevivência das espécies não foi a competição pura, mas o apoio mútuo. Essa ideia sempre me marcou. E isso em tudo, pense nas redes de fio...

Não é que eu não possa, eu só não estou buscando

Eu não tive lá muitas experiências românticas e muito menos sexuais e está tudo bem. Sabe, vira e mexe eu sinto que preciso explicar algo que, pra mim, é simples. Não no sentido de fácil, mas no sentido de claro. Eu não estou fechada à experiência. Não sou contra namoro, não sou contra vínculos alternativos como relacionamentos queerplatônicos, não sou contra sexo, nem contra nada disso. Mas também não estou atrás de nada disso agora e acho quando estive, entendo que foi para compensar outra coisa.  E isso parece muito difícil de entender num mundo que organiza a vida em torno da busca por relacionamento. Vivo no Brasil, um país conhecido por uma cultura extremamente sexualizada, com iniciações precoces, músicas, conversas e expectativas girando em torno de atração, conquista e casal. Eu nunca me senti pertencente a isso. Não só por não sentir atração sexual, mas porque isso também nunca ocupou um lugar em mim. Eu lembro de meu eu adolescente com muita indignação quando ouvia as mú...

De repente eu olhei pra Lua e comecei a chorar

Eu sempre gostei da Lua, mas acho que tenho gostado cada vez mais.  Consigo falar pelo menos umas 10 músicas que falam do nada sobre a Lua quando fica impossível definir claramente o que seria se não fosse ela. Mas um exemplo clássico: "Se eu morrer não chore não, é só a Lua"  Não sei dizer, há um certo símbolo que damos para à Lua: mistério e acalento, sonhos e pesadelo, dormir ou rolê noturno. Mas dessa vez foi diferente.  Eu vi ela pelo reflexo do espelho,  estava em sua fase gibosa minguante,  mas parecia uma super lua, enorme. Como vi pelo reflexo de início nem achei que fosse lua,  parecia uma mancha enorme no céu,  pensei que fosse um foguete ou algo de uma sacada de prédio,  mas era a mesma Lua de sempre. Sabe, ultimamente eu tenho me sentido uma falsidade, eu não sei exatamente o quê, mas algo me tomou conta no período do natal-ano novo. Eu ando vendo como as pessoas estão curtindo suas vidas,  fazendo coisas legais,  e eu estou...

Magia que existe

Segundo a Teoria Geral dos Sistemas, todo sistema tende à homeostase; porém, diante de um input significativo, ele pende à transformação e precisa se reconfigurar. Nós, seres humanos, somos um biogeohistoricosociopsico-sistema aberto, em troca constante com inúmeros seres e forças. Defendo fortemente que precisamos nos esforçar, nos mover, criar atrito consciente, para não ocupar apenas uma posição passiva nessas relações. Porque, se nada fizermos, será pior... bem pior. Nosso corpo é um ecossistema riquíssimo, e estudá-lo é tão deslumbrante quanto estudar um planeta alienígena. O pensamento e história de qualquer sociedade é também interessantíssimo. Quase nada é tão incrível como se debruçar sobre códigos e linguagens, transformações e atores de um povo (incluindo o nosso que as vezes pensamos que sabemos, mas sob um análise crítica percebemos que só reproduzimos sem entender o porquê). Nossa psiquê, longe de ser algo uno e parado, é um choque-rede amplo de memórias, sonhos, símbolos...

Feminino(s), Masculino(s) e mais

Yin-Yang, Yang-Yin  Masculino e Feminino Isso me cansa! E mais, me sufoca, me persegue.  Você certamente já deve ter visto associações do tipo  "O Sol é masculino.    A Lua é feminina.    O homem sai pra trabalhar, e a mulher faz bolo caseiro". Bom... pelo menos é isso que o conservadorismo quer que você pense. Mesmo se isso fosse verdade (o que não é, é mais um preconceito sobre a natureza), não interessa se o "macho ideal" supostamente caça e a "fêmea ideal" supostamente não. Isso em nada deveria afetar a vida social. Mas vamos desconstruir um tanto disso. Quando nós olhamos pra história, vemos que essa ideia, "macho é assim, fêmea é assado", sempre foi só isso: uma ideia. E uma ideia que sempre vai mudando conforme o lugar e o tempo. O Sol às vezes é tratado como o arquétipo máximo da masculinidade: força, coragem, penetração... Mas isso é só por um olhar possível.... Um olhar colonizado e patriarcal. O Sol também pode ser visto como algo deli...

O Nascimento do Fluxo

No meu último texto "A Morte do Indivíduo" posso ter deixado no escuro quem lê, e isso é bom, penso muito que quando não se dá algo, não se faz um limite, não se traça uma forma, abre uma oportunidade de criar, acho que é mais potente isso. Mas também acho que às vezes esse movimento de criação pode se beneficiar mais quando se tem mais ideias das ferramentas para criar. Bom, eu não me considero ninguém importante, só alguém que ficou sentindo um vazio grande e foi atrás de mais coisas para acabar com esse vácuo e acabou lidando com mais vácuo e que por isso sabe um tanto sobre esse sentimento assombroso que é "você querer fugir, mas aonde você vai, você tá" e que quer, por isso, compartilhar para quem eventualmente ache isso algumas coisas que aprendeu. Bom, sim o indivíduo, a identidade, não existe como essência, mas é criado. Cada sociedade (ou pessoa) elabora sua própria noção de “eu” conforme suas necessidades e condições, numa troca com o entorno.  Eu e Buda c...

A Morte do Indivíduo

O Homem é uma invenção cuja data recente a arqueologia de nosso pensamento mostra facilmente. E talvez seu fim próximo. - Michel Foucault Desde o pensamento filosófico grego antigo, já se debate se a natureza é estável ou um processo em constante transformação, a exemplo da ontologia de Heráclito e Parmênides.  Parto aqui de um pressuposto materialista: a natureza não aponta para nada além de si mesma, é a realidade máxima em operação. Eu considero esse como o único ponto possível a se partir qualquer reflexão que não queira distorcer a realidade. Tudo que existe é natureza, incluindo o imaginário, o simbólico e o fantástico. Esses não são domínios separados do real, mas produções materiais que possuem rastros históricos e psicológicos e revelam como indivíduos e sociedades compreendem a si mesmos e o mundo. Um ponto em comum entre a perspectiva ecocentrada de muitos povos originários e a ciência moderna é a constatação expressa por Lavoisier: “Nada se cria, tudo se tr...