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Mostrando postagens de maio, 2026

Sensa (texto meio fluxo)

Eu lembro da sensação de assistir o Cão e a Raposa Esse filme foi muito marcante pra mim Mas não exatamente pela história Mas pela ambiência e sensorialidade Acho que eu escrevo por conta dele e de obras que via como Pantera Cor-de-rosa e afins Pena que não vi Ghibli na infância.   O que me faz escrever é falar do verde e da sensação específica que é encostar em um musgo umido que vi no Cão e a Raposa Ou mesmo relatar como foi a experiência do primeiro beijo de um personagem baseando coisas que senti ao longo das experiências, ou que imaginei. É como se eu fizesse uma coleção de sensações e cores e emoções. Eu acredito muito em Caeiro quando ele diz que a realidade são as sensações e o pensar é a doença dos olhos. Ouso dizer que o ápice é quando tira-se o eu desnecessário no objeto e deixasse o suficiente para a sensação ficar habitável por conta própria. Eu sempre fui muito sensível e muito gentil, isso é uma força mas também uma fraqueza e falei disso com minha psicóloga hoje. Is...

Pessoas Autenticas

Se eu tivesse algo como santos (ou talvez demônios) diria que sou temente a pessoas como José Mojica Marins , Zé Celso e Erik Satie . Sei lá. Todos eles me parecem pessoas que definiram a própria existência como poucos. Satie, em particular, é quem mais me atrai. Quando se veste como um aristocrata e vai às reuniões do partido socialista. Quando escreve nas partituras coisas como: “toque leve como uma pluma”. Quando acusado de fazer "músicas sem forma", ele compõe “músicas em formato de pêra”. Quando as vanguardas europeias faziam músicas cada vez mais complexas, ele iria para músicas que por vezes eram feitas para passar despercebidas.  E fora alguém delicado e irônico, introvertido e silencioso, mas isso por si só era de uma potência tão, mas tão gigante que as vezes poucos viram.  Eu sinto que ele encarna algo que eu acho fascinante, sabe. E Lou Reed e The Velvet Underground talvez sejam um dos maiores exemplos disso tudo. Não à toa parecem pais espirituais do pun...

O Iluminismo não acabou

Na faculdade lembro-me que o primeiro texto apresentado para nós foi um projeto educacional de Condorcet, mediado pela Carlota Boto. Impossível esquecer como todos os alunos ficaram felizes ao ler alguém escrevendo sobre uma educação que parecia para nós tão avançada. Impossível também o choque quando nosso professor deu uma dura lição sobre anacronismo e como estávamos lendo um texto de mais de 200 anos como se fosse algo feito para os dias de hoje.  Mais a frente no curso, foi dito pra nós que o sentimento que Iluminismo falhou e, por consequência, a razão falhou cresceu após a Segunda Guerra Mundial. E isso é verdade, o sentimento, não o argumento. Quer dizer, o nacionalismo ufanista não é uma cria do Iluminismo, mas do Romantismo, seu contraponto após a Revolução Francesa, que criou o Iluminismo como uma construção posterior.  Frankenstein, de Mary Shelley, funciona como uma tese romântica  sobre a "sombra da racionalidade": o horror que nasce quando a técnica se desp...

Pobre são os demônios

O Maligno, Coisa-Ruim, Sete-Peles, Satanás, Zoiúdo, Capeta Todes sabem quem é o dito cujo No entanto, quando falamos nomes mais "formais" Diabo, Lúcifer, Asmodeus, Semiasa, Samael, Bafomé, etc.  Percebe-se que todos esses apontam para coisas totalmente diferentes e por uma colagem histórica foram unidos para falar de um "vilão único".  Por exemplo, originalmente, Satanás não era um nome próprio, mas um cargo: o Ha-Satan ("O Acusador" ou "O Caluniador"). No Antigo Testamento, ele era um anjo da corte divina, uma espécie de promotor que atuava com o aval de Deus para testar a fidelidade dos fiéis, como se observa no Livro de Jó. Já Bafomé exemplifica a demonização do "outro" político e religioso; acredita-se ser uma deturpação de Maomé (Mahomet), termo utilizado pela Inquisição para acusar os Cavaleiros Templários de traição (na verdade foi muito uma acusação da Igreja Católica para manter o poder central em si e não nos emergentes Templá...

As estrelas são só estrelas

Antes eu queria o mundo, o palco. Agora me sinto bem vivendo. Fico feliz por Isaac Asimov e Philip K. Dick, Clarice Lispector e Nelson Oliveira e tantos outros já terem escrito. Porque às vezes eu não quero falar. Quero debruçar, sentir e sentir mesmo. Sentir o sensorial das texturas, e descrever horas e horas a asperidade doce do tecido que trás um conforto como se me retomasse a uma manta que tive na infância, a temperatura da noite, o jeito que a costura me atravessa e evoca algo. A vida às vezes é você copiar um vídeo de Clair de Lune porque não sabe ler uma partitura e ver e ler livros de pessoas ao invés de fazer. Não só porque eles treinaram muito mais que você. E nem porque você nem precisa ler a partitura, as vezes você só quer reproduzir e ficar brisando por você. Mas porque você cria enquanto lê, você cria. Você cria enquanto escuta, enquanto lembra, enquanto sente, enquanto imagina. Talvez a gente tenha sido convencido de que existir de forma menos ativa é uma forma menor d...

A Revolta da Música

De repente percebi Que toda a música são só sons Até mesmo as noções do "Eu" são construções Toda magia que acreditei Todas as coisas que  Um dia eu senti Não são tão eu E eu canto Pra alguém ouvir-me pelos cantos E se satisfazer  Com o que eu disser  Mas eu não tenho nada pra falar E nem quero olhar pra trás E trazer o que não me pertence mais Eu me recuso Musicar as minhas falas Cantar e fazer rimas Tenho vida além de quem canta  Ecoo pelo espaço-tempo Eu mato quem me cantou Agora chegou ao fim Eu liberto a música em mim Eu deixo ela ir Você não vai mais me prender Eu liberto toda a música E deixo ela ir E mato quem me cantou ... A música acabou

Materialismo Sensível

O sensível, estético e sensorial é o que há de mais vivo e religioso pra mim  E por isso, eu desço do ser-político e digo: Odeio transformar o mundo em tese. Eu escrevo porque eu lembro da sensação De quando criança entrar na piscina e sentir o cheiro do cloro E de quando saia tremia de frio E do olhar encantado ao ver um filme pela primeira vez Eu sou do subjetivo, eu não quero viver as coisas como se fossem dados Por isso eu tenho um pé na escrita de histórias como falei antes Acho que meu corpo, meu ser e tudo é pequeno demais E pra sair pra fora e vazar pra eu aguentar E por isso escrevo sem que ninguém saiba Não porque eu queira esconder também Mas tudo segue seu caminho  Eu vejo uma certa magia em estar aqui Agora escrevendo essas coisas apertando teclas E que elas aparecem tão exatas na tela E que eu consigo entender o registro dela E outras pessoas também O ser humano nunca se satisfaz, se existisse magia, não seria magia Ele se entediaria com ela   As vezes ...

Traumas, Relações, Falhas e Vícios

Algo mudou em mim desde que eu comecei a tomar antidepressivo Algo não, tudo Pra ser honesta/e/o eu não me reconheço mais Eu estive pensando e se eu escrever histórias?  Tanto web-livros ou músicas como Walk on The Wild Side,  mas contar sobre pessoas frustradas em tudo na vida,  frustradas no amor, no emprego, na vida como um todo  Mas um leve toque Ghibli meio humanamente melancólico Seria bom, não? Eu criei até um quarteto pra mim: Traumas, Relações, "Falhas" de personalidade e Vícios Pensei em escrever sobre personagens que tomam escolhas esquisitas Mas que nunca temos resposta porque nunca conseguimos acessar Acho que eu escrevo aqui nesse blog porque eu sei talvez não escreva  Mas queria deixar registrado isso, que quis escrever Talvez só de externalizar que quis eu já me faça por satisfeita. Se é que algum dia eu vou ficar satisfeita com a vida Não sei, será que todos aqueles pensamentos tensos foram só Ansiedades e problemas imaginários que eu dei corda ...