Ecossocialismo como uma necessidade: Entropia e Empenho pela vida
Eu não acreditava que fosse possível voltar no tempo como nos filmes... mas eu me enganei.
Até que me apresentaram a hipótese de acelerar uma das bocas de um buraco de minhoca e, assim, criar uma defasagem temporal entre elas. Ao atravessá-lo, você estaria, tecnicamente, em um momento diferente do tempo segundo o seu próprio referencial.
Mas nem é preciso apelar para isso.
A verdade é que nós já viajamos no tempo. O tempo todo.
O que percebemos como tempo, uma linha contínua que começa no Big Bang e segue adiante, é uma definição newtoniana e ela já caiu no paradigma científico.
Esse modelo é um resquício de uma física onde o universo era apenas um palco fixo, e não o ator, o palco e o próprio público ao mesmo tempo.
A relatividade e a mecânica quântica são realmente muito doidas.
E, ainda assim, tudo está fadado a morrer. Ou talvez não exatamente morrer, mas se desarranjar.
O universo.
Você.
Até o seu webrelacionamento.
Existe uma lei da natureza chamada entropia. Talvez ela seja o que faça com que nós percebemos o tempo como progressivo.
Ela diz que a energia tende a se espalhar e que tudo caminha para a desorganização.
No fim de tudo, segundo uma hipótese, as estrelas vão se apagar
e o cosmos vai esfriar no chamado Big Freeze.
A vida é um breve instante na história do universo.
Me lembro de Nietzsche, em sua fala do amor fati. Acho que ela é minha defesa para não cair em niilismo ao constatar isso.
Amar esse curto instante e sentir gratidão por ele.
Mas existe um problema.
Aquilo que já é raro está sendo destruído em ritmo acelerado, e o nome do destruidor de vida é capitalismo.
John Bellamy Foster explica que esse sistema
funciona como um acelerador da entropia:
ele não usa a energia para sustentar a vida,
ele queima, desperdiça e dispersa tudo
para acumular um lucro cada vez mais impensável.
Estamos jogando fora o pouco tempo que temos
presos a uma lógica totalmente irracional.
Sim, a vida é finita. Mas, ao invés de descartá-la, eu acredito que ela deve ser celebrada e cuidada.
Esse sistema, é o sistema da morte. Morte não no seu sentido criativo e renovador.
Morte no sentido que ele busca congelar os devires, cortar nossa ligação, criar o self-made man, ecoando a ideia dos grande HOMENS do passado (O ecofeminismo aponta isso: para o patriarcado, a masculinidade racional que age no feminino irracional)
Homens que não se veem como parte natureza, mas como sujeitos que podem agir sobre ela.
Assim, obtendo o lucro, a morte, a fome, a desgraça global é parte dos negócios.
E essa crítica é tão manjada que até o capitalismo usa dela para parecer minimamente consciente com suas CNUDS, Agenda 21 e até mesmo com animações como Lorax (que é uma ofensa a obra original por sinal) e Wall-E.
Todas as pessoas poderiam viver bem. Todos os seres poderiam viver bem. Tudo poderia estar sob uma outra forma de gestão. É o racional, é o ético, é o desejável.
Mas claro, para isso, é preciso afirmar uma outra vida. Socialismo, ou barbárie. Ou melhor: Ecossocialismo, ou barbárie.
O capitalismo já conseguiu tirar de nós a capacidade de pensar sobre o futuro para além de uma tragédia à lá Mad Max ou de uma versão extrema do presente como em obras numa estética cyberpunk mas esvaziada de seu conteúdo crítico.
É o que Mark Fisher chama de Hauntologia, essa existência fantasma entre possibilidades de futuros perdidos que nossa cultura foi inserida.
É preciso lutar pela vida. Todos os futuros estão como possibilidades. Construir uma nova forma de existir não porque se pode, mas porque se deve.
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