Awen

Eu sei que falo isso direto, mas preciso retomar essa ideia.

No meu pior momento 

A música era só som

E as montanhas só 

Terra empilhada 

Isso não é metáfora, é literalmente o que eu sentia.

Thompson para historiografia
hooks para a ética/educação
Júlio Lancellotti como prática humanitária
Caeiro na poesia
Boal no teatro

Esses e muitos e muitos outros pra mim representam esse antídoto para reencantar o mundo para quem esta cinza por dentro.

E reencantar e se reconectar ao awen da vida, a Vontade. 

Eu escrevo agora porque sou barda dessa força universal... eu gostaria de ser na verdade. 

Não digo nada transcendente e, apesar de usar autores que nem se conectam, eu acho que no fim, tudo o que eu escrevo é profundamente materialista e, ainda assim, sensível. E a falta de conexão das coisas que escrevo reflete a limitação natural minha e das "doenças da mente" (como diria Caeiro).  

Eu honestamente acredito que exista um tipo de saúde além desse que é massificado pelo capitalismo, algo vivido, refletido e praticado. Algo humanista que esteja também em meditação e em esvaziamento porque é conectado.

Sempre quis me ver como alguém gentil e essa é, sem dúvida, uma virtude minha, mas também é uma máscara para minha insegurança em me firmar na terra.

Terra... Bem-viver... Eu quero ser ainda mais gentil e ainda mais sensível.

Isso não é afastado da política, é profundamente conectado

Tem a ver com o que a gente planta, a gente come. Tanto fisicamente como simbolicamente e psicologicamente. 

Envolver, como fala Nêgo Bispo, é isso. É pra aí que eu quero confluir. É por isso que quero estudar mais.

Pra mim, tudo não é a coisa em si, mas todo o fenômeno por trás e posterior, as coisas são muito maiores e não cabe a mim julgar apenas a sentir e aprofundar.

Eu escrevo muito de sentir, isso não é só metafórico, quero sentir mais, sentir a terra, sentir meu corpo, sentir ele se misturando com a Terra. Minha mente se misturando com as coisas que ela sente. 

Estarei tentando me reequilibrar pra isso, debruçar e reencantar-me mais sobre minha cultura, quem sabe fazer da minha banda um Belle & Sebastian/Sigur Rós, "shoegazy" meio Sarah Records provando que as histórias, lendas, sensações e cotidiano do meu Clube da Esquina, das montanhas da minha Minas Gerais são fonte da introversão maravilhosa que confluo e ressoo. 
Como profe de história, sempre estou estudando mais e mais minha história e dividindo e renovando com meus alunos.

Sim, não existe estado de natureza, nós sempre nós fazemos junto a natureza. 

Quem sabe também crescer como pessoa, profissionalmente (especializar em educação ambiental), melhorar meus hábitos (exercícios, provavelmente dança, melhorar postura, dormir cedo, etc.), me tornar mais eu (muito mais do que se pode escrever). Acho que estou no processo e indo até a passos largos. 

Não sei pra onde estou indo, é uma aposta, todavia, parece-me que estão sendo boas apostas.

Aquilo que é bom, realmente bom, acredito que transborda.

E do meu jeito e do meu silêncio... no meu kiri, meu bosque sagrado.

No meu pior momento 

A música era só som

E as montanhas só 

Terra empilhada 


Até que eu desliguei 

Como criança 

Eu deixei-me ir

Estar no mundo

O vento deslizando 


Não me importa 

Se existem sacis 

Me importa dizer sim

Para os pulos 

Música é som
E também é canção
Basta se abrir
Para ouvir

Montanha é terra empilhada
E também é morada das fadas
Basta ter um coração
Pra ver e escrever 


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