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Vida.

Esses dias eu vi um destaque de stories de alguém escrito "Vida." e aquilo pareceu meio curioso Eram destaques sobre animais, arvores e comidas meio cottagecore   De uns tempos para cá, venho sentindo uma mudança na forma como enxergo a vida.  Por muito tempo, parece que a vida esteve muito ligada à espera. Esperar alguém chegar. Esperar carinho. Esperar alguma coisa acontecer para que eu finalmente pudesse sentir que estava vivendo de verdade. Os grandes objetivos também pareciam carregar um peso enorme: ter determinada coisa, chegar a determinado lugar, me tornar determinada pessoa. Hoje ainda tenho vontades para o futuro. Quero ter um apartamento cheio de plantas, talvez um BYD, tocar com minha banda, ser cada vez mais andrógina e femine, ganhar mais através do mestrado, lançar um livro, dançar balé, aprender cada vez mais sobre fitoterapia, talvez ir a grandes shows e começar a entrar em comunidades de coisas que tenham a ver comigo. Talvez me especializar mais na bru...

Fantasiando segredos no ponto onde não quer chegar

Fantasia  Isso sim é algo que eu sei.   Poderia dizer que aprendi isso com Anne Shirley ou Manoel de Barros Mas eu meio que sempre fui assim também.  Sabe, pra mim é muito fácil ir pra uma mata e sonhar alto. Falar sozinha é um hábito muito recorrente pra mim.  Mais que falar, eu lembro que desde criança,  brincar sozinha e criar cenários amplos era costume.  Brincar e vivenciar na verdade; já sofri horrores por cenários que eu mesmo criei e já criei coisas incríveis que só eu pude admirar.  E é assim, nem tudo o que vivemos fica pra posterioridade. Nem toda fantasia vira livro...  E muito menos realidade. As pessoas querem que fantasiam sejam realidade, mas as vezes a fantasia já basta por si.  Nós temos uma máquina criativa infinita chamada mente,  que pode mentir a vontade,  que pode criar a criatura que quiser, realizar qualquer coisa. Eu tenho o costume de me imaginar dando entrevistas, tocando em grandes palcos, fazendo discur...

Awen

Eu sei que falo isso direto, mas preciso retomar essa ideia. No meu pior momento  A música era só som E as montanhas só  Terra empilhada  Isso não é metáfora, é literalmente o que eu sentia. Thompson para historiografia hooks para a ética/educação Júlio Lancellotti como prática humanitária Caeiro na poesia Boal no teatro Esses e muitos e muitos outros pra mim representam esse antídoto para reencantar o mundo para quem esta cinza por dentro. E reencantar e se reconectar ao awen da vida, a Vontade.  Eu escrevo agora porque sou barda dessa força universal... eu gostaria de ser na verdade.  Não digo nada transcendente e, apesar de usar autores que nem se conectam, eu acho que no fim, tudo o que eu escrevo é profundamente materialista e, ainda assim, sensível. E a falta de conexão das coisas que escrevo reflete a limitação natural minha e das "doenças da mente" (como diria Caeiro).   Eu honestamente acredito que exista um tipo de saúde além desse que é mass...

Sensa (texto meio fluxo)

Eu lembro da sensação de assistir o Cão e a Raposa Esse filme foi muito marcante pra mim Mas não exatamente pela história Mas pela ambiência e sensorialidade Acho que eu escrevo por conta dele e de obras que via como Pantera Cor-de-rosa e afins Pena que não vi Ghibli na infância.   O que me faz escrever é falar do verde e da sensação específica que é encostar em um musgo umido que vi no Cão e a Raposa Ou mesmo relatar como foi a experiência do primeiro beijo de um personagem baseando coisas que senti ao longo das experiências, ou que imaginei. É como se eu fizesse uma coleção de sensações e cores e emoções. Eu acredito muito em Caeiro quando ele diz que a realidade são as sensações e o pensar é a doença dos olhos. Ouso dizer que o ápice é quando tira-se o eu desnecessário no objeto e deixasse o suficiente para a sensação ficar habitável por conta própria. Eu sempre fui muito sensível e muito gentil, isso é uma força mas também uma fraqueza e falei disso com minha psicóloga hoje. Is...

Pessoas Autenticas

Se eu tivesse algo como santos (ou talvez demônios) diria que sou temente a pessoas como José Mojica Marins , Zé Celso e Erik Satie . Sei lá. Todos eles me parecem pessoas que definiram a própria existência como poucos. Satie, em particular, é quem mais me atrai. Quando se veste como um aristocrata e vai às reuniões do partido socialista. Quando escreve nas partituras coisas como: “toque leve como uma pluma”. Quando acusado de fazer "músicas sem forma", ele compõe “músicas em formato de pêra”. Quando as vanguardas europeias faziam músicas cada vez mais complexas, ele iria para músicas que por vezes eram feitas para passar despercebidas.  E fora alguém delicado e irônico, introvertido e silencioso, mas isso por si só era de uma potência tão, mas tão gigante que as vezes poucos viram.  Eu sinto que ele encarna algo que eu acho fascinante, sabe. E Lou Reed e The Velvet Underground talvez sejam um dos maiores exemplos disso tudo. Não à toa parecem pais espirituais do pun...

O Iluminismo não acabou

Na faculdade lembro-me que o primeiro texto apresentado para nós foi um projeto educacional de Condorcet, mediado pela Carlota Boto. Impossível esquecer como todos os alunos ficaram felizes ao ler alguém escrevendo sobre uma educação que parecia para nós tão avançada. Impossível também o choque quando nosso professor deu uma dura lição sobre anacronismo e como estávamos lendo um texto de mais de 200 anos como se fosse algo feito para os dias de hoje.  Mais a frente no curso, entretanto, outra ideia apareceu para nós: o iluminismo falhou e, por consequência, a razão também falhou e essa certeza cresceu após a Segunda Guerra Mundial. E penso que embora o sentimento de crise na modernidade possa ser real, eu acredito que o argumento é um pouco mais perigoso. Esse tipo de argumento acredito que é uma interpretação da interpretação da interpretação da ideia de razão instrumental do Adorno. A clássica "o mundo ficou racional demais e por isso nazismo"  E eu defendo que essa ideia e...

Pobres são os demônios

O Maligno, Coisa-Ruim, Sete-Peles, Satanás, Zoiúdo, Capeta Todes sabem quem é o dito cujo No entanto, quando falamos nomes mais "formais" Diabo, Lúcifer, Asmodeus, Semiasa, Samael, Bafomé, etc.  Percebe-se que todos esses apontam para coisas totalmente diferentes e por uma colagem histórica foram unidos para falar de um "vilão único".  Por exemplo, originalmente, Satanás não era um nome próprio, mas um cargo: o Ha-Satan ("O Acusador" ou "O Caluniador"). No Antigo Testamento, ele era um anjo da corte divina, uma espécie de promotor que atuava com o aval de Deus para testar a fidelidade dos fiéis, como se observa no Livro de Jó. Já Bafomé exemplifica a demonização do "outro" político e religioso; acredita-se ser uma deturpação de Maomé (Mahomet), termo utilizado pela Inquisição para acusar os Cavaleiros Templários de traição (na verdade foi muito uma acusação da Igreja Católica para manter o poder central em si e não nos emergentes Templá...

As estrelas (não) são só estrelas

Antes eu queria o mundo, o palco. Agora me sinto bem vivendo. Fico feliz por Isaac Asimov e Philip K. Dick, Clarice Lispector e Nelson Oliveira e tantos outros já terem escrito. Porque às vezes eu não quero falar. Quero debruçar, sentir e sentir mesmo. Sentir o sensorial das texturas, e descrever horas e horas a asperidade doce do tecido que trás um conforto como se me retomasse a uma manta que tive na infância, a temperatura da noite, o jeito que a costura me atravessa e evoca algo. A vida às vezes é você copiar um vídeo de Clair de Lune porque não sabe ler uma partitura e ver e ler livros de pessoas ao invés de fazer. Não só porque eles treinaram muito mais que você. E nem porque você nem precisa ler a partitura, as vezes você só quer reproduzir e ficar brisando por você. Mas porque você cria enquanto lê, você cria. Você cria enquanto escuta, enquanto lembra, enquanto sente, enquanto imagina. Talvez a gente tenha sido convencido de que existir de forma menos ativa é uma forma menor d...

A Revolta da Música

De repente percebi Que toda a música são só sons Até mesmo as noções do "Eu" são construções Toda magia que acreditei Todas as coisas que  Um dia eu senti Não são tão eu E eu canto Pra alguém ouvir-me pelos cantos E se satisfazer  Com o que eu dizer  Mas eu não tenho nada pra falar E nem quero olhar pra trás E trazer o que não me pertence mais Eu me recuso Musicar as minhas falas Cantar e fazer rimas Tenho vida além de quem canta  Ecoo pelo espaço-tempo Eu mato quem me cantou Agora chegou ao fim Eu liberto a música em mim Eu deixo ela ir Você não vai mais me prender Eu liberto toda a música E deixo ela ir E mato quem me cantou ... A música acabou

Materialismo Sensível

O sensível, estético e sensorial são profundamente vivos e religiosos pra mim. E por isso, eu desço do ser-político e digo: Odeio transformar o mundo em tese. Eu escrevo porque eu lembro da sensação De quando criança entrar na piscina e sentir o cheiro do cloro E de quando saia tremia de frio E do olhar encantado ao ver um filme pela primeira vez Eu sou do subjetivo, eu não quero viver as coisas como se fossem só dados. Por isso eu tenho um pé na escrita de histórias como falei antes Acho que meu corpo, meu ser e tudo é pequeno demais E pra sair pra fora e vazar pra eu aguentar E por isso escrevo sem que ninguém saiba Não porque eu queira esconder também Mas tudo segue seu caminho  Eu vejo uma certa magia em estar aqui Agora escrevendo essas coisas apertando teclas E que elas aparecem tão exatas na tela E que eu consigo entender o registro dela E outras pessoas também O ser humano nunca se satisfaz, se existisse magia, não seria magia Ele se entediaria com ela   As vezes ...

Traumas, Relações, Falhas e Vícios

Algo mudou em mim desde que eu comecei a tomar antidepressivo Algo não, tudo Pra ser honesta/e/o eu não me reconheço mais Eu estive pensando e se eu escrever histórias?  Tanto web-livros ou músicas como Walk on The Wild Side,  mas contar sobre pessoas frustradas em tudo na vida,  frustradas no amor, no emprego, na vida como um todo  Mas um leve toque Ghibli meio humanamente melancólico Seria bom, não? Eu criei até um quarteto pra mim: Traumas, Relações, "Falhas" de personalidade e Vícios Pensei em escrever sobre personagens que tomam escolhas esquisitas Mas que nunca temos resposta porque nunca conseguimos acessar Acho que eu escrevo aqui nesse blog porque eu sei talvez não escreva  Mas queria deixar registrado isso, que quis escrever Talvez só de externalizar que quis eu já me faça por satisfeita. Se é que algum dia eu vou ficar satisfeita com a vida Não sei, será que todos aqueles pensamentos tensos foram só Ansiedades e problemas imaginários que eu dei corda ...

A vida não é uma delícia... infelizmente

Eu gostava muito daquele desenho, Aggretsuko, eu via todo dia quando chegava do trabalho. Mas, sei lá sabe, quando ele parou de ser sobre o cotidiano de uma jovem adulta frustrada que queria só largar o trabalho, mas não podia, Ele se perdeu pra mim. Tem episódios que eram sobre milionários, tramas políticas, idols... Eu gostava do mínimo porque era quase como se eu me visse lá  Porém, é, terminei o desenho mesmo assim, fazer o quê?   Sabe, eu não gosto do meu trabalho Nem da minha cidade  E as vezes, de nada na verdade. Sabe quando os gregos fizeram o mito de Sísifo, eu sinto que Camus dedicou pra mim. A vida moderna pra mim é esse saco aí mesmo. É repetitiva, é chata, é burocrática, amarga. Eu até tenho desejos, mas procuro não me perder demais neles porque provavelmente a vida vai frustrar ou não vai realizar e tudo mais... e eu tenho preguiça.  Ainda assim, os desejos são meus e eu guardo eles com cuidado. Não sei sabe, quando as pessoas falam de sonhos... eu fic...

Ishitara

Ele avança. O chão estala sob os pés. A lâmina corta o ar com violência. Ishitara não se move. Ela está sentada, pernas cruzadas, olhos fechados. Como uma vela ardente diante dele. O golpe atravessa seu corpo. Não há impacto. Não há resistência. A lâmina passa como se cortasse o calor acima de uma fogueira. No instante do atravessar, a arma começa a avermelhar. O punho dele arde. Ishitara abre os olhos. Não há nenhuma reação em seu olhar. Apenas visão. Ela pega o cachimbo ao lado, acende com a própria respiração - sem gesto, apenas intenção - e traga. A brasa no fornilho pulsa como um coração. Ela exala. A fumaça se espalha lenta, densa, silenciosa. As tochas ao redor se apagam. As lanternas morrem. Até o luar parece engolido. Escuridão. No centro da névoa, uma silhueta começa a se delinear,  não feita de chamas violentas, mas de um fogo baixo, constante, quase aconchegante. A voz dela surge de todos os lados e de lugar nenhum: - O que quer? Ele responde de ...

Ecossocialismo como uma necessidade: Entropia e Empenho pela vida

Eu não acreditava que fosse possível voltar no tempo como nos filmes... mas eu me enganei.  Até que me apresentaram a hipótese de acelerar uma das bocas de um buraco de minhoca e, assim, criar uma defasagem temporal entre elas. Ao atravessá-lo, você estaria, tecnicamente, em um momento diferente do tempo segundo o seu próprio referencial. Mas nem é preciso apelar para isso. A verdade é que nós já viajamos no tempo. O tempo todo. O que percebemos como tempo, uma linha contínua que começa no Big Bang e segue adiante, é uma definição newtoniana e ela já caiu no paradigma científico. Esse modelo é um resquício de uma física onde o universo era apenas um palco fixo, e não o ator, o palco e o próprio público ao mesmo tempo. A relatividade e a mecânica quântica são realmente muito doidas.  E, ainda assim, tudo está fadado a morrer. Ou talvez não exatamente morrer, mas se desarranjar. O universo. Você. Até o seu webrelacionamento. Existe uma lei da natureza chamada entropia. Ta...

Por que não sou anarquista?

Não é surpresa para ninguém que eu me considero marxista-leninista e ecossocialista. Mas, ao invés de começar defendendo esse posicionamento de forma direta, prefiro fazer um caminho diferente. Durante muito tempo eu me considerei anarquista. Em parte porque sempre achei atraente estar naquilo que é menos aceito, menos normativo, mais marginal. Mas, honestamente, o que realmente me atraía no anarquismo não era só a estética ou a rebeldia. Era a convicção de que essa é, em essência, a forma como a sociedade deveria se organizar. O mundo é uma teia. Nós somos uma teia. Um fluxo em constante relação e expansão. Sendo assim, por que a sociedade não deveria funcionar dessa forma também? O livro Ajuda Mútua: Um Fator da Evolução, de Kropotkin, foi fundamental para mim, nele é mostrado que, tanto historicamente quanto biologicamente, o que permitiu a sobrevivência das espécies não foi a competição pura, mas o apoio mútuo. Essa ideia sempre me marcou. E isso em tudo, pense nas redes de fio...

Não é que eu não possa, eu só não estou buscando

Eu não tive lá muitas experiências românticas e muito menos sexuais e está tudo bem. Sabe, vira e mexe eu sinto que preciso explicar algo que, pra mim, é simples. Não no sentido de fácil, mas no sentido de claro. Eu não estou fechada à experiência. Não sou contra namoro, não sou contra vínculos alternativos como relacionamentos queerplatônicos, não sou contra sexo, nem contra nada disso. Mas também não estou atrás de nada disso agora e acho quando estive, entendo que foi para compensar outra coisa.  Eu funciono de outra forma, sou um outro universo e as categorias tradicionais não funcionam pra mim e tudo bem, não tenho mais medo de bancar o que eu sou.  E isso parece muito difícil de entender num mundo que organiza a vida em torno da busca por relacionamento. Vivo no Brasil, um país conhecido por uma cultura extremamente sexualizada, com iniciações precoces, músicas, conversas e expectativas girando em torno de atração, conquista e casal. Eu nunca me senti pertencente a isso....

De repente eu olhei pra Lua e comecei a chorar

Eu sempre gostei da Lua, mas acho que tenho gostado cada vez mais.  Consigo falar pelo menos umas 10 músicas que falam do nada sobre a Lua quando fica impossível definir claramente o que seria se não fosse ela. Mas um exemplo clássico: "Se eu morrer não chore não, é só a Lua"  Não sei dizer, há um certo símbolo que damos para à Lua: mistério e acalento, sonhos e pesadelo, dormir, rolê noturno, a Deusa tríplice...  Mas dessa vez foi diferente.  Eu vi ela pelo reflexo do espelho,  estava em sua fase gibosa minguante,  mas parecia uma super lua, enorme. Como vi pelo reflexo de início nem achei que fosse lua,  parecia uma mancha enorme no céu,  pensei que fosse um foguete ou algo de uma sacada de prédio,  mas era a mesma Lua de sempre. Sabe, ultimamente eu tenho me sentido uma falsidade, eu não sei exatamente o quê, mas algo me tomou conta no período do natal-ano novo. Eu ando vendo como as pessoas estão curtindo suas vidas,  fazendo coisas ...

Magia que existe

Segundo a Teoria Geral dos Sistemas, todo sistema tende à homeostase; porém, diante de um input significativo, ele pende à transformação e precisa se reconfigurar. Nós, seres humanos, somos um biogeohistoricosociopsico-sistema aberto, em troca constante com inúmeros seres e forças. Defendo fortemente que precisamos nos esforçar, nos mover, criar atrito consciente, para não ocupar apenas uma posição passiva nessas relações. Porque, se nada fizermos, será pior... bem pior. Nosso corpo é um ecossistema riquíssimo, e estudá-lo é tão deslumbrante quanto estudar um planeta alienígena. O pensamento e história de qualquer sociedade é também interessantíssimo. Quase nada é tão incrível como se debruçar sobre códigos e linguagens, transformações e atores de um povo (incluindo o nosso que as vezes pensamos que sabemos, mas sob um análise crítica percebemos que só reproduzimos sem entender o porquê). Nossa psiquê, longe de ser algo uno e parado, é um choque-rede amplo de memórias, sonhos, símbolos...

Feminino(s), Masculino(s) e mais

Yin-Yang, Yang-Yin  Masculino e Feminino Isso me cansa! E mais, me sufoca, me persegue.  Você certamente já deve ter visto associações do tipo  "O Sol é masculino.    A Lua é feminina.    O homem sai pra trabalhar, e a mulher faz bolo caseiro". Bom... pelo menos é isso que o conservadorismo quer que você pense. Mesmo se isso fosse verdade (o que não é, é mais um preconceito sobre a natureza), não interessa se o "macho ideal" supostamente caça e a "fêmea ideal" supostamente não. Isso em nada deveria afetar a vida social. Mas vamos desconstruir um tanto disso. Quando nós olhamos pra história, vemos que essa ideia, "macho é assim, fêmea é assado", sempre foi só isso: uma ideia. E uma ideia que sempre vai mudando conforme o lugar e o tempo. O Sol às vezes é tratado como o arquétipo máximo da masculinidade: força, coragem, penetração... Mas isso é só por um olhar possível.... Um olhar colonizado e patriarcal. O Sol também pode ser visto como algo deli...

O Nascimento do Fluxo

No meu último texto "A Morte do Indivíduo" posso ter deixado no escuro quem lê, e isso é bom, penso muito que quando não se dá algo, não se faz um limite, não se traça uma forma, abre uma oportunidade de criar, acho que é mais potente isso. Mas também acho que às vezes esse movimento de criação pode se beneficiar mais quando se tem mais ideias das ferramentas para criar. Bom, eu não me considero ninguém importante, só alguém que ficou sentindo um vazio grande e foi atrás de mais coisas para acabar com esse vácuo e acabou lidando com mais vácuo e que por isso sabe um tanto sobre esse sentimento assombroso que é "você querer fugir, mas aonde você vai, você tá" e que quer, por isso, compartilhar para quem eventualmente ache isso algumas coisas que aprendeu. Bom, sim o indivíduo, a identidade, não existe como essência, mas é criado. Cada sociedade (ou pessoa) elabora sua própria noção de “eu” conforme suas necessidades e condições, numa troca com o entorno.  Buda aponta...